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POEZINE-SE II

Neste segundo volume, o Poezine-se tem a honra de trazer os textos da uberabense e poetisa Jamila Costa. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

VESTÍGIOS DOS PRIMEIROS AMERICANOS ESQUECIDOS NO PORTAL DA SERRA DA CANASTRA

A Serra da Canastra transformada em Parque Nacional da Serra da Canastra em 1972 é considerada um patrimônio da humanidade.

Sua beleza é de um esplendor imensurável onde se mantém ali um bioma rico em fauna e flora, sendo também berço de nascentes de rios importantes como o São Francisco e o Araguari.

Ainda sem entrar no Parque, pode-se conhecer preciosos tesouros, rios e cachoeiras de águas límpidas e claras e até mesmo um sítio arqueológico, que, apesar de sua importância pouco ou nada tem sido feito, tanto para preservação quanto para seu estudo.

Trata-se do Letreiro do Glória, inscrições rupestres nas pedras do portal da Serra da Canastra com cerca de 10.000 anos.


Estas inscrições ficam em uma exuberante propriedade particular, entre os municípios de São João Batista da Serra da Canastra, Sacramento e Tapira onde também se encontra uma das mais belas cachoeiras da região, a Parida, que fica a 170 Km de Uberaba.

As principais inscrições rupestres ficam a aproximadamente 5 m de altura. O paredão tem uns 12 m de altura e apresentam várias outras pequenas inscrições. No entanto, devido a falta de preservação por parte das autoridades, estas inscrições vêm sendo alvo de vandalismo.


O mais provável segundo um especialista é que as inscrições tenham sido feitas por um grupo de pessoas, humanos modernos, assim como nós, que provavelmente seguiram caminho até Lagoa Santa, região de Belo Horizonte e mais tarde para o Piauí, outro local de grande importância arqueológica.

Ou seja, foram feitas pelos primeiros habitantes das Américas do qual ainda não sabemos nada de sua passagem pelas terras da região do triângulo mineiro.

Para se ter uma ideia da importância deste sítio, até pouco tempo, a teoria mais aceita sobre a chegada do humano moderno nas Américas era a da passagem pelo estreito de Behring há cerca de 13.000 anos, no final da Era Glacial, esta teoria é denominada de Cultura Clovis devido aos artefatos encontrados perto da cidade de Clovis (Novo México) e também por defender a Teoria das 3 imigrações.

No entanto uma descoberta dos anos 70, na região de Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte pôs em xeque esta teoria.

Uma ossada quase completa encontrada ali sugeriria uma datação de no mínimo de 11.000 anos, ou seja, se compararmos a data da passagem no estreito de Behring com a data da ossada é de se julgar, no mínimo improvável uma delas e passou a se trabalhar com uma nova teoria, a Teoria das 4 imigrações ou Neves & Pucciarelli.



Essa ossada, pertencente a uma mulher de cerca de 20 anos, da qual foi nomeada de Luzia (homenagem a uma ossada africana do australopithecus de nome Lucy), mostrou que na reconstrução facial, há uma semelhança muito maior de Luzia com os africanos e aborígenes do que com os nossos índios brasileiros.
O dilema, no entanto está sendo resolvido gradualmente, mas o que se sabe é que muito antes de nossos índios chegarem aqui houve um grupo que conseguiu fazer a travessia da Ásia para as Américas, sem utilizar o estreito de Behring, entre 17.000 a 20.000 mil anos.

Essas pessoas chegaram ao Brasil e passaram por nossa região, deixaram inscrições que hoje é alvo de vandalismo, mesmo sendo de difícil acesso (cerca de 8 km da propriedade particular).
Há vestígios destas pessoas em Lagoa Santa, Piauí e Pará, mas quando nossos índios chegaram aqui eles pode ser que não houve sobreviventes.


Para quem gosta de história, aventura e contato com natureza, a visita ao local pode ser feita mediante a autorização do proprietário e necessita de carro com tração para chegar ao local mediante a um valor de R$ 10 reais por pessoa. 


por Ana Maria Corrêa Rocha
Advogada e Pesquisadora