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POEZINE-SE II

Neste segundo volume, o Poezine-se tem a honra de trazer os textos da uberabense e poetisa Jamila Costa. 

domingo, 22 de setembro de 2013

DUMP ROULETS


Melt Yourself Down - Melt Yourself Down

Da banda formada pelos saxofonistas Pete Wareham e Shabaka Hutchings, a baixista Ruth Goller, os percussionistas Tom Skinner e Satin Singh, além da vocalista Kushal Gaya, esse disco é uma mistura infame de dance music, afro beat, jazz e rock. As faixas transitam ora por beats modernosos (a la chemical brothers, hip hop inflado por processamento digital e distorção), ora por passagens nas quais você se sente no ensaio de uma banda punk de garagem africana. Os metais vão junto destilando mais rock que outra coisa. A vocalista parece ter sido acometida por alguma infecção cerebral, pois num transe infernal, cospe disparates em creole francês, inglês e ruídos irreconhecíveis, e só decide quietar o facho mais pro fim do disco, quando o som dá uma trégua...

Animado, rítmico, colorido e MUITO quente, quando você não achar que é alto demais pros seus tímpanos, vai se sentir bem animadinho, ou vai querer dançar umas danças ridículas pra se divertir. Melt Yourself Down é isso mesmo, diversão quente numa espiral de palavrões musicais cuspidos por gente que quer ver o circo pegar fogo. Derreta-se.




The Knife - Shaking The Habitual 

Antes de qualquer coisa, é importante mencionar que esse duo sueco (Karin Dreijer Andersson e Olof Dreijer) já foi protagonista de uma minirrevolução na música pop por si só. Que faz sete anos que o último disco até então havia sido lançado (Silent Shout). E que se criou até uma espécie de mito nesse ínterim, pois seu som evoca mesmo uma aura misteriosa, de criatividade e de profundidade subjetiva; algo como pop feito pelo subconsciente, que te faz ficar imaginando de que esquina erma do cérebro das pessoas essas coisas saem.

Não é um disco fácil. Além da viagem introspectiva (muitas faixas são só ruídos e ambiências, uma delas com 19 minutos de duração), da mescla de sonoridades ásperas e "feias" com vocais sensuais e muito peculiares (que remetem à M.I.A, à Björk e ainda às sacanagens musicais dos conterrâneos do iamamiwhoami, mas sempre em uma leitura muito distorcida e pessoal), Shaking The Habitual também tem seu lado samba-do-criolo-doido: percussividade e ritmicidade exploradas de forma intensa e inteligente, só que sob uma perspectiva de um filme de terror, daqueles de fazer xixi nas calças.

Sexy, sombrio, politizado e até mesmo filosófico (temas como a exacerbação da riqueza, patriarcalismo, a impaciência com a ineficiência e desonestidade governmentais, degradação ambiental e o déficit de atenção da sociedade moderna são abordados nas letras), o The Knife diz muito utilizando muitos recursos, e realmente é difícil de digerir, mas também é certo que é um disco interessantíssimo.