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POEZINE-SE II

Neste segundo volume, o Poezine-se tem a honra de trazer os textos da uberabense e poetisa Jamila Costa. 

sábado, 5 de outubro de 2013

DUMP ROULETS

O DUMP ROULETS de hoje é sobre dubstep.

Três discos, três direções pro ritmo que já é adolescente, e que como bom humano situado nessa fase (e que fase...), passa por suas crises de identidade.    

 

 

 

Destroid - The Invasion

 

Destroid é um projeto recém-lançado por Excision e Downlink, dois dos produtores mais incensados do dubstep. A sua contraparte mega pop, Skrillex (ex-vocalista da banda de screamo From First to Last), gosta de destilar a veia dub/reggae em seus sons (só checar o single "make it bun dem", com Damian Marley, filho de vocês sabem quem, que inclusve está na trlha sonora do jogo Farcry 3, num exemplo do cacife do rapaz atualmente). 

Destroid segue a mesma linha barulhenta e cheia de graves agressivos, breakdowns capazes de parar um caminhão, gritos de "vamos revolucionar o mundo", pegando carona na onda do hacktivismo ("cansamos de vocês, corporações, governos blablabla"), etc., só que tenta explorar ritmos um pouco diferentes do TUM TUM TÁ tradicional, partindo pro 2-step e continuando o flerte com o drum and bass.

É divertido, e esse fator diversão cresce em proporção direta com o tamanho do seu sub-woofer. Mas a verdade é que se você pegar músicas desses artistas nos dois últimos anos, não mudou quase nada.. é uma eterna batalha em busca do SPL (sound pressure level) "perfeito", como se isso definisse a parada. Resumindo: é música pro Leleco ir malhar o redondo na academia.
Dubstep ainda vai ficar chato. E esses caras não estão fazendo nada pra ajudar. 









Burial - Truant/Street Halo/Kindred

 

Já o caso do Burial envolve a busca de uma saída (muito) mais decente pra questão. Burial, também conhecido como Willian Bevan (na verdade é ideia, o Burial é mesmo o Four Tet, nem vou falar mais nada por economia; consulta o tio google e terás uma ideia de quem estamos falando), ficou famoso por lançar o que eu gosto de chamar de "dubstep subaquático". Discreto, econômico nas batidas (e ao mesmo tempo original, dada a gritaria que anda rolando nos sons do estilo), um tanto melancólico e sombrio, e a receita da água: tudo no som é abafado, realmente parece que você está debaixo d'água. O resultado é interessantíssimo. Tanto a escolha minuciosa dos detalhes que compõem os beats quanto a atmosfera soturna e abafada denotam elegância e cuidado em montar um som único, distinto. Tão distinto que fica difícil também saber como inovar a partir desse ponto.. qual seria o próximo passo? Só não duvido porque Four Tet é foda, ele dá um jeito de dar um jeito. E quando dá... Nu!

 

http://www.4shared.com/rar/4CXHG3w9/B_-_EPs2012.html







Zomby - With Love

 

Zomby também é famosinho por sua incursões cool no dubstep e no grime. Mais famoso ainda porque faz posts bombásticos no twitter, marcou shows e não apareceu, esteve envolvido recentemente num escândalo de plágio que inclusive precisou de retratação por parte da gravadora (4AD)... só falta fazer música que presta, né?


With Love é um disco duplo (33 faixas) que traz nosso amigo se fazendo de bobo: sem dar muita moral pra questão dubstep (quando na verdade está é ignorando ele de propósito), cria sob essa pretensão "modernosa" uma cama de hip hop sujo, passagens clubber/não clubber (essa merda é pra dançar ou não é?), os timbres a la anos 80, pianos puros, os vocais (ininteligíveis) discretizados em pacotes minúsculos repetidos à exaustão, como num sonho, sem deixar de demonstrar a paixão (pra minha felicidade) pela cultura underground londrina, com muitas doses de jungle espalhadas em BPMs variados ao longo do disco (chegando a escancarar de vez em "overdose" e "777"). Quando o dubstep aparece, está com todos os sons que deveriam fazer parte de uma peça genérica do estilo (pergunta lá pro Skrillex que ele te conta) trocados ou faltando; você custa a reconhecer que ele queria era dizer isso. 


Não é dos mais fáceis, nem dos mais originais também, mas ao espalhar suas referências com tamanha maestria, Zomby cria uma peça musical extensa e coesa, direcionada aos já iniciados na música eletrônica, e que traz sim muitas misturas relevantes e dignas de nota.

http://www.4shared.com/rar/ipkPrmvj/Z-WL2013.html